


insanidades cafeinadas acompanhando pães de queijo.
.a solidão num bar a noite quente o tédio sufocante
um gesto descuidado a frase inconseqüente o riso provocante
no rosto o desafio o olhar macio e imponente
seu jeito de criança entrando em minha vida imperiosamente
o anseio arrebatado e torturante o corpo impaciente a boca incendiada o seio palpitante o beijo incandescente o coração descompassado suplicante o fogo ardendo furiosamente e o gosto inebriante de um desejo urgente e devastador
a entrega obediente sempre vem o ardor dilacerante a alma adolescente o abraço alucinado um grito triunfante um louco desvario a paz chegando de repente e o pulso latejante da paixão febril cravada no meu ventre
no fim a despedida o vazio doendo persistente me vi por toda vida num silêncio frio ao te lembrar ausente e ainda que esta noite esteja tão distante a dor me faz lembrar inutilmente que fui por um instante tua para sempre.
dançávamos pela praça. descompassados rotos e tristes. não éramos mais os mesmos. nem aqueles. eu tinha te visto um copo ou outro. e desde dali te vi em mim. sim. você me participava. eu usava um vestido verde. você me seguiu com os olhos e eu era deles. naquele dia fui condenada a esta urgência de você. minhas mãos suavam numa sala de cinema. eu. de novo. uma menina diante de um deus. você me contou que amava uma moça. eu te contei que não tinha mais coração. você riu. como se soubesse a minha angústia. entendesse a minha mentira. as coisas não nos acontecem. e ainda existe um demônio delirante de asas abertas entre nós. aflora as ventas. estufa o peito de senões. cospe gelo. certos dias dorme. sai por ai. então. somos de novo.
eu te quero tanto homem. te venero a pele alva. as pequenas mãos. o tatear manso. o anoitecer dos olhos insones. sempre prontos pra ir embora. o alinhamento exato de seus ângulos e planos. o riso surpreso. que um pouco antes de acontecer sabemos que iremos dar. e todo resto que deixo comigo.
só tenho verdadeiramente. a busca dolorosa por seu olhar. o pedido desesperado em meus poros. a teimosia de meus pés. essa dor pungente.
só que existe. ainda.
sua total ignorância dos movimentos meus.
arrancar minha roupa. rasgar minha pele e me mostrar assim.
me encaixar no seu olhar. ser o destino de sua voz.
ser o equilíbrio. o cerne. o que te move. o que te dói.
ser sua desgraça. ser a pior coisa da tua vida. te destruir. te lamber as feridas.
te enfiar amor no peito. no ventre. na sola dos pés.
te passar a língua. te deixar à míngua. frouxo. inerte. em mim.
repousarei na tua memória
procurando uma ponta de amor que caiu em meu sofá (sofá este, que foi de alguém, que vendeu pro taylor, que vendeu pro rivas, que vendeu pra mim) e sendo ela a única esperança de um domingo a noite recheado com o bolo de fanessa meloni, sem a companhia de um filminho novo e um cancelamento de corujão. vi nela, a única salvação para minha mente perturbada. tive de rasgar o forro que cobre o fundo do sofá para procurar e lá encontrei coisas dos montes de amigos que visitam minha casa quandoemvezsempre.
bem, a lista:
1 trydent menta
fárias pontas
selinhos de cerveja
tampinhas de cerveja
1 Rolha de vinho
uma camisinha (fechada)
o celular do dedé (dedé, tá comigo, relaxa que eu vou trocar por uns 20 conto)
papelotes estranhos
2 cigarros (um inteiro)
uma pulseira do cachorrão
um termômetro
um cd do mutantes
um potinho de vaselina (?)
alicate de unha
lixa de unha
um ingresso de cinemais
cacos de vidro (dos copos que sempre quebro)
uma poema horroroso que citava cus e tal...
grampos de cabelo
um amante carioca
cabelos
uma flor seca
muita poeira e solidão
amanhã, vou fazer um peixinho aqui em casa.
apareçam.
ps:. tragam o vinho e uma taça.
depois de duas noites e doze horas
dolorosas...
depois que as baratas envenenadas
buscaram em minha sacada uma salvação
depois do teu olho passar séculos sem me ver
nem seu silêncio pousou sobre mim
toda sua falta de jeito
sua falta de tato
me falta...
me deu vontade de te experimentar.