quinta-feira, abril 29, 2010

terça-feira, abril 20, 2010

você quer vê? escuta. II

-então...
-é, é isso.
-é isso?
-sim. você queria o que afinal?
-que você comesse meu coração,já que o matou.

quinta-feira, abril 15, 2010

terça-feira, abril 13, 2010

noite

.a solidão num bar a noite quente o tédio sufocante

um gesto descuidado a frase inconseqüente o riso provocante

no rosto o desafio o olhar macio e imponente

seu jeito de criança entrando em minha vida imperiosamente

o anseio arrebatado e torturante o corpo impaciente a boca incendiada o seio palpitante o beijo incandescente o coração descompassado suplicante o fogo ardendo furiosamente e o gosto inebriante de um desejo urgente e devastador

a entrega obediente sempre vem o ardor dilacerante a alma adolescente o abraço alucinado um grito triunfante um louco desvario a paz chegando de repente e o pulso latejante da paixão febril cravada no meu ventre

no fim a despedida o vazio doendo persistente me vi por toda vida num silêncio frio ao te lembrar ausente e ainda que esta noite esteja tão distante a dor me faz lembrar inutilmente que fui por um instante tua para sempre.


segunda-feira, abril 12, 2010

domingo, abril 11, 2010

você quer vê? escuta.

- toma esse amor aqui. presente meu pra você.
- não, não posso aceitar. fica com você.
- mas é só amor. eu tô te dando. é de coração.
- hum... o que você vai querer em troca?
- nada. é só um presente.
- é melhor eu não aceitar, nunca tive amor assim antes, de graça.
não vou saber usar.
- tudo bem. era um tamanho muito maior que o seu mesmo.
- ...

terça-feira, fevereiro 09, 2010

de quando não se pode ter.

dançávamos pela praça. descompassados rotos e tristes. não éramos mais os mesmos. nem aqueles. eu tinha te visto um copo ou outro. e desde dali te vi em mim. sim. você me participava. eu usava um vestido verde. você me seguiu com os olhos e eu era deles. naquele dia fui condenada a esta urgência de você. minhas mãos suavam numa sala de cinema. eu. de novo. uma menina diante de um deus. você me contou que amava uma moça. eu te contei que não tinha mais coração. você riu. como se soubesse a minha angústia. entendesse a minha mentira. as coisas não nos acontecem. e ainda existe um demônio delirante de asas abertas entre nós. aflora as ventas. estufa o peito de senões. cospe gelo. certos dias dorme. sai por ai. então. somos de novo.

eu te quero tanto homem. te venero a pele alva. as pequenas mãos. o tatear manso. o anoitecer dos olhos insones. sempre prontos pra ir embora. o alinhamento exato de seus ângulos e planos. o riso surpreso. que um pouco antes de acontecer sabemos que iremos dar. e todo resto que deixo comigo.

só tenho verdadeiramente. a busca dolorosa por seu olhar. o pedido desesperado em meus poros. a teimosia de meus pés. essa dor pungente.

só que existe. ainda.

sua total ignorância dos movimentos meus.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

.

arrancar minha roupa. rasgar minha pele e me mostrar assim.

me encaixar no seu olhar. ser o destino de sua voz.

ser o equilíbrio. o cerne. o que te move. o que te dói.

ser sua desgraça. ser a pior coisa da tua vida. te destruir. te lamber as feridas.

te enfiar amor no peito. no ventre. na sola dos pés.

te passar a língua. te deixar à míngua. frouxo. inerte. em mim.

terça-feira, janeiro 05, 2010

.

repousarei na tua memória
a minha imagem
quando chegar a noite
e o vento me arrastar para os largos espaços
repousarei na tua memória a minha imagem.
e estarei em ti pousado, como a cor na superfície dos mares;
e estarei em ti como a emoção nas lágrimas;
e estarei em ti como a saudade nos olhos imóveis.
irá da minha imagem
para a tua compreensão
o sentimento do meu mistério
o ignorado segredo dos movimentos do meu ser.
e ficarei em ti, iluminado e distante
e serei como a luz inútil, como a lanterna balançando
nas pequenas estações passadas
nessa longa viagem sem termo.

(augusto frederico schmidt)

fanessas vão dominar o mundo

quinta-feira, dezembro 17, 2009

de quando não se quer ser. (por lidiane barros)

Lú tá num daqueles dias que precisa ir pra sacada pra ter uma sacada
Lú precisa arejar a janela da alma
ela me traz um tereré (é gelado) que é só coisa dela
se vc chega na casa dela, não tem um leão de chácara, tem um chá de cócoras
ela suga, levanta a sobrancelha. guela. gela.faz barulho mal educado
e ri largo, como só ela faz
ela tá mesmo preocupada com o vômito dos outros
diz que queria morar lá em cima
me chama. faz pergunta difícil
me ligo tanto nos outros q acho legal qdo eles me fazem outras
ela me propõe não ser eu
é sério. eu queria
mas nós não precisamos

segunda-feira, dezembro 14, 2009

caixa preta

procurando uma ponta de amor que caiu em meu sofá (sofá este, que foi de alguém, que vendeu pro taylor, que vendeu pro rivas, que vendeu pra mim) e sendo ela a única esperança de um domingo a noite recheado com o bolo de fanessa meloni, sem a companhia de um filminho novo e um cancelamento de corujão. vi nela, a única salvação para minha mente perturbada. tive de rasgar o forro que cobre o fundo do sofá para procurar e lá encontrei coisas dos montes de amigos que visitam minha casa quandoemvezsempre.

bem, a lista:

1 trydent menta

fárias pontas

selinhos de cerveja

tampinhas de cerveja

1 Rolha de vinho

uma camisinha (fechada)

o celular do dedé (dedé, tá comigo, relaxa que eu vou trocar por uns 20 conto)

papelotes estranhos

2 cigarros (um inteiro)

uma pulseira do cachorrão

um termômetro

um cd do mutantes

um potinho de vaselina (?)

alicate de unha

lixa de unha

um ingresso de cinemais

cacos de vidro (dos copos que sempre quebro)

uma poema horroroso que citava cus e tal...

grampos de cabelo

um amante carioca

cabelos

uma flor seca

muita poeira e solidão

amanhã, vou fazer um peixinho aqui em casa.

apareçam.

ps:. tragam o vinho e uma taça.

domingo, dezembro 13, 2009

morte anunciada

se eu pudesse fazer você entender que estar assim exposta, entregue, frágil
e tão tua a ponto de esperar até agora, você decidir se me cuida, se me tem ou não.
que isso não é fácil pra mim. percebe?
que se você declina aos meus convites, aos meus olhares e ao meu carinho
eu só posso entender que você só me quer em seu carnaval.
e eu tenho que te revelar uma coisa:- eu ando muito cansada e qualquer sopro contrario teu, qualquer brisa me dói mais que essa solidão de agora.

terça-feira, novembro 24, 2009

segunda-feira, novembro 09, 2009

eu minto o tempo inteiro.

sexta-feira, novembro 06, 2009

tempo índigo

depois de duas noites e doze horas

dolorosas...

depois que as baratas envenenadas

buscaram em minha sacada uma salvação

depois do teu olho passar séculos sem me ver

nem seu silêncio pousou sobre mim

toda sua falta de jeito

sua falta de tato

me falta...

me deu vontade de te experimentar.

terça-feira, novembro 03, 2009

.

ela era tão frágil, tão triste e tão sozinha, que me deu vontade de ser ela.

quarta-feira, outubro 28, 2009

dia 1° de novembro

dia 1° de novembro, na praça das bandeiras, me apresento no festival calango.
vai rolar também:
toninho horta, ebinho cardoso, marku ribas, paulo monarco, linha dura,inimitáveis, vitrolas polifônicas e uma porrada de gente bacana.

eu ainda não tenho músicas no meu myspace, mas olha ele aí: http://www.myspace.com/385579468.

vou apresentar músicas do meu primeiro disco "samba em sombra de pequizá", que tá ficando muito bonito e tem a assinatura na produção, nos arranjos e em tudo mais, inclusive nas puxadas de orelha da cantora aqui, do meu amigo amado, paulo monarco.

monê, obrigada por tudo, você é foda.

sexta-feira, outubro 23, 2009

keep out

eu não sou o tipo de mulher com quem você viveria.
cristã, doninha de casa, cozinheira, nunca li dostoievski.
não falo inglês, não conheço bandas de rock da islândia...
não sei os nomes dos diretores europeus e não sei pronunciar
nomes gringos, sem ter ouvido alguém falar umas cinco vezes pelo menos...
nunca tinha visto nenhum filminho do "sam peckinpah", bebo muito,sou
ciumenta e não quero ter filhos.
não sei escrever direito, não sei nem andar em linha reta.
só sei cantar, ainda topa?

não sei formatar texto pra esse blog.

quinta-feira, outubro 22, 2009

ao sul daqui

- devo confessar-te, mesmo que você nunca saiba.
nada morreu, tudo mora e se extingue em mim.
sou inventora de deuses, sou criadora do que há aqui.
sim, amarguei.
- eu não te entendo.
- perdoa-me, não te entendi.