sexta-feira, março 28, 2008

levantando a balzaca


quando eu era apenas uma “infanta” de quatro aninhos, dona lazinha (mamãe) resolveu que eu ia ser bailarina... – manda a menina pro balé!!! lá ia eu, três vezes por semana, durante uns 6 anos... não me lembro mais de coisa alguma, não era a minha... queria o jazz por conta da (alexandra owens), por fim, fui fazer natação mesmo, pq diziam que eu iria crescer, depois de uns quatro anos do esporte aquático, continuei com meus 1,52 m. como eu era baixinha mesmo, fui pra ginástica olímpica da UFMT, depois de uma tentativa frustrada de ser estrela do vôlei, ser daiane dos santos também não era meu destino, aquele negócio de subir no cavalo me dava vertigem e eu achava meio “viada” aquela coisa toda de fitinha...

conheci o mestre de capoeira eron, que foi amigo do meu pai em um grupo de teatro amador...acho que eu tinha uns 16, 17 anos... me encantei pela capoeira... fiz uns seis meses e parei por falta de grana mesmo...agora, quase balzaca mas por dentro um debutante!!! resolvi aceitar o convite de minha cumadi mônica e enfrentar as dolorosas aulas de (capoeira angola), ministradas gratuitamente por um cara de barbicha, lá na UFMT.

então, a pança que só aumentava por causa da cerveja (que não vou parar de tomar)
os peitinhos que já estavam cabisbaixos, as pernocas molengas e o bracinho do “xau”
vão voltar a ser, o que eram nos áureos tempos de minha mais bela mocidade.
tudo duro, em pé, viril, varonil.

até quando minha coluna aguentar

:)

terça-feira, março 25, 2008

contando os dias


ando contando os dias para vê-lo pq além de vagar pelo céu e o inferno
só pra ter mais graça e poesia em tudo. ando contando dias que nem sei
quantos são, dias que nem sei pra onde vão...
ando com saudades de tudo... (até dei pra vê-lo por ai em filmes que vejo)
dei pra te ver ao meu lado, do nada, você tá ali!
azul que só...
busco pés por debaixo da mesa...
...
saudades.
muita!

sábado, março 22, 2008

"florentino ariza no había dejado de pensar en ella un solo instante después de que fermina daza lo rechazó sin apelación, después de unos amores largos y contrariados, y habían trancurrido desde entonces cincuenta y un años, nueve meses y cuatro días."
(gabriel garcía márquez, "el amor en los tiempos del cólera")

saudações da roça


eu nem queria que os piraporas se rebelassem agora, mas está difícil controlar a revolta.
tentei atender a demanda de sentimentos mas não deu, sugaram tudo.
agora eles querem guerra, vai entender... você oferece o que pode e não reconhecem.
e eu que sempre quis ser a
"carpinteira do universo" . nunca havia de dar certo mesmo e disso eu suspeitei desde o princípio.
eu sempre acreditei que existe um momento de escolha pra tudo. por isso mesmo me dou o direito de dizer. putz!
quando a gente acorda e vai se arrumar pra ir ao trabalho, já sabe a roupa que quer vestir, mas fica um tempo ainda diante das opções até se decidir exatamente pela primeira... é sempre assim ou quase sempre assim, enfim.... tem também aquele momento que você conhece uma pessoa bacana, sai uma vez, duas, até que você decide ligar a terceira vez e... é nesse momento ou em qualquer outro parecido, mas você sabe, que é bem ali que você se apaixona. (estranho) escolhas.
os dias por aqui vão acontecendo mais estranhos do que de costume, mais quentes do que de costume, mas solitários do que de costume, medo!
eu não consigo, juro, que não consigo, não tenho forças, não tenho cú, não dou conta, não posso.
pesa muito.
o melamed tem razão, não é fácil ser: pisciana, espírita, cuiabana e cantora - correntista do BB
vejamos, vejamos...
quero ver é chegar a hora. acuma?
boa noite.
ontem, a noite demorou por dimais pra acabar, na verdade, acabou com o sol que iluminou este dia que findou.
aqui a obrigação da vida é correr ligeiramente mansa.

segunda-feira, março 17, 2008

vinte e oito


non, je ne regrette rien (edith piaf)
non! rien de rien...
non ! je ne regrette rien
ni le bien qu’on m’a fait
ni le mal, tout ça m’est bien égal!
non! rien de rien...
non ! c’est payé, balayé, oublié
je me fous du passé !
avec me souvenirs
j’ai allumé le feu
mes chagrins, mes plaisirs
je n’ai plus besoin d’eux !
balayé les amours,
avec leurs trémolos
balayés pour toujours
je repars à zéro...
non! rien de rien...
non ! je ne regrette rien
ni le bien qu’on m’a fait
ni le mal, tout ça m’est bien égal !
non! rien de rien...
non ! car ma vie, car mes joies
aujourd’hui,
ça commence avec toi !

(et tout commencera de nouveau pour moi
et toi ..voulez-vous seguir avec moi ?
mon chemin sera joli et des jours glorieux m'attendent.
je ne me regrettes de rien, je veux que boire
la vie dans des larges petites gorgées)

hoje comecei a ter aulas de inglês e francês com madam leen
chic!
:)
ps.: je t'aimes mon amour - tu me manques trop ici. beaucoup de bisous..

sábado, março 15, 2008

gota dágua



já lhe dei meu corpo, minha alegria
já estanquei meu sangue quando fervia
olha a voz que me resta olha a veia que salta
olha a gota que falta pro desfecho da festa
por favor...
deixe em paz meu coração

que ele é um pote até aqui de mágoa
e qualquer desatenção, faça não
pode ser a gota dágua

(chico)


a trilha inteira de gota dágua é linda, não podia ser diferente se tratando do chico como autor. fui ver o espetáculo ano passado no palco giratório do sesc, com a cia teatral breviário, já conhecia o texto, que é poesia pura e já tinha visto bibi ferreira interpretando joana, em dvd é claro, êta joana velha... o chico tinha dito que era impossível alguém fazer uma joana como a bibi, mas essa georgete fadel, me fez chorar mas do que de costume, me fez entender a dor de joana de uma maneira que nunca vou me esquecer. me fez ver que a vida é assim mesmo...


sexta-feira, fevereiro 29, 2008

para viver um grande amor

para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. é preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. é preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor. é muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. e o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor? para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. é preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.é preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor. mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

..
...poetinha...

para matar um grande amor...

muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. no entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida.
é aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas a nós mesmos, ao mundo, ao universo inteiro. o amor relativiza; a renúncia absolutiza.
e não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos. arrisco mesmo a dizer: só os amores verdadeiros se acabam. os que sobrevivem, incrustados no hábito de se amar, podem durar uma vida inteira e podem até ser chamados de amor mas nunca foram ou serão um amor verdadeiro. falta-lhes exatamente o dom da finitude, abrupta e intempestiva.
qualidade só encontrável nos amores que infundem medo e temor de destruição.
não se vive o amor; sofre-se o amor. sofre-se a ansiedade de não poder retê-lo, porque nossas cordas afetivas são muito frágeis para mantê-lo retido e domesticado como um animal de estimação. ele é xucro e bravio e nos despedaça a cada embate e por fim se extingue e nos extingue com ele. aponta numa única direção: o rompimento. pois só conseguiremos suportá-lo se ocultarmos de nossos sentidos o objeto dessa desvairada paixão. mas não se pense que esse é um gesto de covardia. o grande amor exige isso. o rompimento é sua parte complementar. uma maneira astuciosa de suspender a tragédia, ditada pelo instinto de sobrevivência de cada um dos amantes. morrer um pouco para se continuar vivendo. e poder usufruir daquele momento mágico, embebido de ternura, em que a voz falseia, as mãos se abandonam e cada qual vê o outro se afastar como se através de uma cortina líquida ou de um vitral embaçado.
há todo um imaginário sobre os adeuses e as separações, construído pela literatura e pelo cinema.
o cenário pode ser uma estação de trem, um aeroporto (remember casablanca), um entroncamento rodoviário. pode ser uma praça ou uma praia deserta. falésias ou ruínas de uma cidade perdida. pode estar garoando ou nevando, mas vento é imprescindível.
as nuvens devem revolutear no horizonte, como a sugerir a volubilidade do destino. os cabelos da amada, longos ou curtos mas escuros, fustigam de leve seus lábios entreabertos. há sutis crispações, um discreto arfar de seios.
e os olhos, ah!, os olhos... a visão é o último e o mais frágil dos sentidos que ainda nos une ao que acabamos de perder. uma grande dor, uma solidão cósmica, um imenso sentimento de desterro. que se curam algum tempo depois com um amor vulgar, desses feitos para durar uma vida inteira...

jamil Snege nasceu em curitiba, em 1939. graduou-se em sociologia e política pela pontifícia universidade católica do paraná. escritor e publicitário, dividia seu tempo entre os livros e sua agência publicitária. publicou crônicas, quinzenalmente, no jornal gazeta do povo. seus principais
livros são “o jardim, a tempestade” (minicontos, 1989), “como eu se fiz por si mesmo” (memórias, 1994) e “os verões da grande leitoa branca” (contos, 2000). morreu em curitiba, em 2003.